Um dos primeiros condutores, o Rei D. Carlos, era conhecido como o “arreda”. Isto porque quando se deslocava no seu automóvel, um dos seus criados corria à frente do carro gritando “arreda!” a todos os transeuntes, por forma a que o real veículo pudesse avançar sem acidentes.
Um acidente, por definição, é um acontecimento não planeado, pelo que a base da prevenção é a previsão e a antecipação. Prever os acontecimentos e antecipar as acções, escolhendo a posição e a velocidade adequadas por forma a evitar acidentes.
Mas como se efectua este raciocínio lógico a que chamamos previsão?
A cada momento o condutor, através da sua experiência e do conhecimento adquirido sobre o meio rodoviário (movimento de pessoas e veículos nas vias), vai definindo a trajectória e velocidade – utilizando os comando de que dispõe; volante, acelerador e travão – de acordo com o seu destino, espaço disponível e interacção com os elementos fixos, móveis, visíveis e expectáveis.
O nosso veículo a uma determinada velocidade, ocupa um espaço na via, equivalente à sua largura e à distancia que ele percorrerá nos próximos momentos. Podemos designar este espaço, como um espaço de “não liberdade”, ou seja, o espaço que o veículo irá ocupar por força da dinâmica do movimento.
Por exemplo, se me deslocar numa rua a 50 kms/h, o meu carro ocupará nos próximos 3 segundos, uma área equivalente a cerca de 1,7m (a largura do carro) por 42m de comprimento (o veículo percorre cerca de 14 metros por segundo à velocidade atrás indicada).
Prever, significa imaginar a cada momento, aquilo que irá suceder, e de que forma o movimento dos outros interferirá na “área” que o nosso veículo irá obrigatoriamente ocupar nos segundos seguintes.
Normalmente os condutores experientes, quando conduzem, olham para o que se passa na estrada numa zona que fica a cerca de 3 a 5 segundos à frente. Assim, podem identificar potenciais perigos e “imaginar” o movimento dos outros, de forma a terem tempo para planear a sua trajectória e a poderem eventualmente defender-se. A isto chamamos Condução Defensiva.
in Revista Segurança, Maio 2003